.: Projeto Guapuruvu Ilha das Couves
Localizada em São Sebastião, litoral paulista, com uma superfície total  de 502.483.00 m2 a  Ilha das Couves serviu de inspiração para este projeto ecoturistico.

O objetivo principal é promover a recuperação ambiental da Ilha, e proporcionar a população local uma formação educacional e profissional voltada para o respeito ao meio ambiente e uso racional dos recursos naturais.

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Projeto Limpeza Beleza
Projeto Ilha das Couves


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Mata Atlântica é o segundo ecossistema mais ameaçado do mundo, perdendo apenas para as quase extintas florestas da Ilha de Madagascar, na costa leste da África. Recentemente foi considerada, a partir de estudos realizados por agências de fomento e grupos de especialistas, a grande prioridade para a conservação de biodiversidade em todo o continente americano.

Mesmo reduzida e muito fragmentada, a Mata Atlântica ainda abriga mais de 20 mil espécies de plantas, das quais 8 mil são endêmicas, ou seja, espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo. É a floresta mais rica em diversidade de árvores por hectare, com 454 espécies identificadas no sul da Bahia. Além disso, a Mata Atlântica fornece serviços ecológicos que asseguram bem-estar aos milhões de habitantes que vivem em seus domínios, como a proteção de nascentes e rios, a estabilidade de solos e encostas nas áreas rurais e urbanas e lazer para populações humanas.

Neste cenário, o Estado de São Paulo destaca- se como importante região de Mata Atlântica a ser preservada, pois constitui porção estratégica ao longo do contínuo de remanescentes. Concentra elevada riqueza de espécies e endemismos para diferentes grupos animais e vegetais. Como resultados de diversos estudos, várias áreas do Estado foram reconhecidas como de extrema importância biológica (MMA/SBF, 2000). Essas características, aliadas à pressão de grandes centros urbanos próximos aos remanescentes de Mata Atlântica no Estado fazem com que este possa ser considerado um Hot Spot dentro do Hot Spot Mata Atlântica. Além disso, o elevado número de espécies ameaçadas de extinção no Estado indica a necessidade de ações conservacionistas imediatas para preservar tais espécies e seus habitats.
De um modo geral, os ecossistemas costeiros são alvo de uma série de impactos causados pelo homem. No território atualmente abrangido pelo Município de São Sebastião, o histórico de ocupação humana, aliado à facilidade de acesso às regiões de baixa declividade, levou ao gradual extermínio de grande parte das formações vegetais nestes ambientes. Atualmente os remanescentes florestais na região encontramse restritos às encostas e topos da serras e morrotes isolados, representados em sua maioria por matas em estádios secundários de portanto sujeitas a processos de diminuição da diversidade da biota devido à menor disponibilidade genética, o que diminui o intercruzamento entre indivíduos diferenciados.

Assim, as populações geradas tendem a naturalmente ser menos capacitadas às alterações climáticas, mais suscetíveis aos ataques de pragas e doenças, serem menos produtivas e sujeitas a um processo crescente de empobrecimento de espécies. Entretanto, a diversidade também pode ser afetada pela distância entre a ilha e o continente ou a ilhas vizinhas, os quais influirão, portanto, na composição da biota insular. As poucas pesquisas disponíveis sobre ilhas no litoral norte paulista tem demonstrado que a estabilidade da fauna e da flora insulares é muito frágil, considerando-se que este fato, por si só, é suficiente para justificar a preservação desses ecossistemas. Entretanto, o simples conceito preservacionista não foi suficiente, até o presente momento, para efetivar a manutenção ou incremento da diversidade das biotas insulares. A visitação indiscriminada tem levado à graves degradações causando, pelo contrário, empobrecimento continuado da diversidade.

Neste contexto, e a partir da publicação do Zoneamento Ecológico Econômico do Litoral Norte através do Decreto Estadual Nº49.215, de 7 de dezembro de 2004, concluiu-se que o uso ecoturístico das ilhas deve ser incentivado, desde que apoiado em planos de uso que contemplem primordialmente o conceito da sustentabilidade ambiental. A definição de um plano de uso ecoturítico da Ilha das Couves é o objetivo do presente trabalho. É agora apresentado à todos os setores da sociedade interessados em promover sua reabilitação ambiental e disciplinar o uso de um valor cênico de grande importância para toda a comunidade de São Sebastião.

AIlha das Couves apresenta superfície de 502.483 m² ou 50,2483 ha, situando-se entre as coordenadas 23o45' - 23o52’30” de latitude S e 45o 45' - 45o37’30” de longitude W, de acordo com dados constantes na Informação Técnica P. J. Nº 35/04 emitido em 22 de dezembro de 2004 pelo Instituto Geohgráfico e Cartográfico do Estado de São Paulo.

Este dado foi obtido através de cálculo utilizando-se planímetro digital sobre a base cartográfica constituída da folha topográfica SF- 23-Y-D-V-4_NO-C, denominada Ilha das Couves I – Plano Cartográfico do Estado – IGC, edição de 1978, escala 1:10.000, encontrando-se cópia do documento anexada ao presente. O acesso até a Ilha das Couves é feito do continente geralmente por embarcações que partem do Rio Una, na Praia da Barra do Una, em percurso de cerca de 4 km e do Portinho da Barra do Sahy, cujo percurso é de aproximadamente 2,5 km. O desembarque é feito numa estrutura náutica miúda, composta por um pequeno píer de atracação, regularizado junto a Marinha, DEPRN e Prefeitura Municipal de São Sebastião.

Histórico da Ilha das Couves Por volta de 1951, o Sr. Manoel Figueiredo Gonçalves partiu do Guarujá com destino ao litoral norte de São Paulo juntamente com o Sr. Hanshort Oscar Katterfeldt, o qual tinha recentemente adquirido os direitos possessórios de uma ilha na região denominada “As Ilhas”. Nessa época a viagem era extremamente árdua devido à inexistência de estradas, sendo o trajeto feito por terra em montaria, ou pelo mar através de embarcação de passageiros e carga chamada Atlas, que ancorava na frente das praias e fazia escambo de mercadorias por peixes com os caiçaras. Numa destas viagens o Sr. Manoel conheceu a ilha vizinha denominada “Ilha das Couves”, onde encontrou um vilarejo com algumas famílias.

Estas famílias moravam na face norte da ilha e plantavam culturas de subsistência, como café, mandioca, banana, cana de açúcar, etc, além de se utilizarem de um tipo de bambu (Phylostachys purpurata) para a produção de artefatos utilizados no artesanato local caiçara. Além dos moradores, também habitavam a Ilha das Couves diversos animais domésticos, como galinhas, gatos e cachorros, levados para ilha pelos próprios caiçaras. Quase dez anos após um longo trabalho de pesquisa nos cartórios da região, os nomes dos moradores foram identificados e confirmados. Após uma negociação individual com cada família, o Sr. Manoel conseguiu estabelecer um plano de pagamento para a compra total do imóvel, tendo em vista o interesse dos então ocupantes de transferirem-se para o continente. No ano de 1962, as escrituras foram registradas no Cartório de Registro de Imóveis na Comarca de São Sebastião.

Desde essa época, o Sr. Manoel exerceu a posse do local mantendo atividades ligadas à agricultura e criação de animais exóticos, tendo plantado em toda orla da face Norte diversos coqueiros que atualmente configuram um excepcional aspecto paisagístico ao local. Apesar do exercício da posse, o local sempre foi visitado por pescadores veranistas, que encontraram na região a possibilidade de fazer acampamentos sem que fossem devidamente fiscalizados pelo município de São Sebastião. Assim, durante vários anos, a Ilha das Couves foi severamente depredada em toda a sua extensão, com o exercício da caça ilegal, da deposição de lixo inorgânico e da pesca predatória em períodos de defeso ou não, além da ocorrência de diversos incêndios, principalmente durante as décadas de 70 e 80 do século 20, condicionando a atual situação de desequilíbrio ambiental.

Uso Atual da Ilha das Couves Atualmente a Ilha das Couves é utilizada pelo Sr. Manoel como local de residência durante parte dos dias da semana, onde mantém dois caseiros em estruturas simples de habitação, compostas por três edificações. Também são desenvolvidos no local trabalhos de exploração dos bambus ocorrentes na face Norte, como meio de subsistência dos empregados da ilha, que os beneficiam através da secagem do material colhido de maneira artesanal e pouco eficiente. O procedimento adotado envolve a exploração intensiva do recurso, sem qualquer planejamento ambiental, o que tem causado danos ao ecossistema. Para secagem dos colmos colhidos, é feito o uso de fornos aquecidos através da queima de ramos laterais provenientes dos desbastes dos colmos, os quais procedem a queima de óleo mineral combustível que impregnam a celulose, conferindo resistência à umidade e microorganismos xilófagos. Tal atividade da forma com que tem sido exercida, pode proporcionar a contaminação do solo local devido ao uso de combustível organo-mineral, sem que sejam adotadas as devidas medidas de manuseio do produto. Os demais usos provêem da visitação constante e predatória dos pescadores veranistas, a qual continua a ocorrer principalmente devido ao transporte feito pelos caiçaras da Barra do Sahy, e em menor número pelos pescadores da Barra do Una. Esta visitação dura em média um final de semana, exercida por grupos de 4 a 8 pessoas, em média, que acampam em locais de topografia plana, próximos ao mar.

• O projeto deve considerar a população caiçara e demais moradores do município de São Sebastião como parte integrante e ativa do processo de implantação e funcionamento do ecoturismo projetado, estimulando o desenvolvimento econômico dos personagens envolvidos direta e indiretamente no Projeto Guapuruvu Iha das Couves.

• Deve ser licenciado junto aos órgãos competentes estruturas de apoio como: píer de atracação, receptivo, observatórios bem como a reforma das edificações já existentes para dar suporte as atividades ecoturisticas, educacionais e cientificas.

• Deve ser implantado um plano de controle dos impactos gerados pela visitação, de forma a não causar danos irreversíveis aos locais visitados, estabelecendo-se o número máximo de visitantes diários de acordo com resultados obtidos em Estudo de Capacidade Suporte, e a realização do monitoramento contínuo de impactos, por meio de indicadores pré-estabelecidos e de fácil verificação;

• A geração de resíduos sólidos e o tratamento dos efluentes sanitários deve ser alvo constante de monitoração, devendose adotar tecnologias de minimização dos impactos sobre o solo e os corpos d’água;

• Alternativas limpas de geração de energia devem ser adotadas na concepção de uso das instalações propostas ;

• Adotar práticas de mínimo impacto ambiental durante sua construção, com a utilização de mão-de-obra local, adotando- se o uso de tecnologias e materiais locais, porém de fontes sustentáveis ou originadas de produtos reciclados; Conforme poderá ser visto adiante, estas diretrizes foram integralmente seguidas na concepção do ecoturismo local, proporcionando a aceitação do Projeto Guapuruvu-Ilha das Couves pela comunidade e pelos órgão públicos competentes para sua análise e devido licenciamento ambiental. Proposta de Uso e Ocupação do Solo Aspectos Gerais As atividades e infraestruturas propostas para serem implantadas no ecoturismo local levaram em consideração os seguintes aspectos:

• A face Norte da Ilha das Couves projeta-se para o continente e apresenta-se em grande parte alterada nas suas condições originais, com cerca de 20.000 m² de topografia plana ou pouco declivosa e ocorrência de uma pequena praia, ao lado da qual foi construída uma estrutura miúda de atracação náutica, devidamente aprovada pelo poder público;

• Considerando-se os aspectos relativos à vegetação, a face Norte apresenta-se severamente degradada, com o predomínio de áreas ocupadas por vegetação exótica ou nativa em estágios sucessionais pioneiros ou iniciais de regeneração secundária, com forte ação de trepadeiras e outras espécies competidoras. • Na face Norte já existem construções diversas acabadas ou semi-acabadas.

• A face Sul apresenta a maior parte do solo revestido por um maciço florestal preservado, em estágio de sucessão médio;

• A face Sul apresenta formações rochosas características (costões rochosos) de rara beleza e posiciona-se para mar aberto, com topografia acidentada.

• A Ilha das Couves apresenta notória pobreza de fauna terrestre;

• Todo o perímetro da Ilha das Couves é entrecortado por duas trilhas já existentes, utilizadas atualmente por pescadores e veranistas que desenvolvem no local um turismo predatório e extremamente prejudicial ao ecossistema considerado.

Matéria publica na revista Mergulho:

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